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Depoimento de Vanessa Siegel

“Por muito tempo foi comum pensarmos que as pessoas trans surgiam ou se manifestavam na vida adulta. Ou que tal expressão de gênero estava incondicionalmente relacionada com a forma de adequação/adaptação pelas relações de sexualidade estabelecidas.

Quando nos dedicamos a conhecer a existência trans, percebemos que não se trata de uma mera característica ou de viés de personalidade.

O que descobri e estou em constante aprendizagem é que nascemos com nossa própria Identidade de gênero. Esta identidade pode ou não ter seu lugar de pertença da condição sexual biológica fêmea/macho ao nascer.

Sim. Existem crianças trans! Porque cada ser humano é único. Temos nosso código genético, nossa impressão digital e tantas outras características que nos fazem únicos. Sendo assim, toda vida é preciosa e deve ser respeitada. Quando nós adultos notamos os primeiros sinais de que a identidade de gênero é de alguma forma diferente da constituição biológic,a é muito comum ouvirmos:

– É apenas uma fase! Logo passa!

– Ah… Falta exemplo em casa! Sem uma “educação rígida”, isso acontece!

– Com certeza é o convívio com os irmãos ou crianças na qual há mais empatia.

– A criança gosta mais da mãe por isso deseja se transformar na mãe. Ou o oposto: A criança gosta mais do pai e tenta ser ele.

Ou ainda:

– Houve um “desejo” por parte dos pais que o bebê fosse “um menino” ou “uma menina. “E como não veio como vocês desejavam, essa frustração foi percebida pela criança. Por isso, simplesmente esta criança busca agradar aos pais. É um jogo de imitação!”

Precisamos abrir nossas mentes e nossos corações. Uma pessoa trans pode passar a vida inteira em negação, ocultando/anulando sua existência. Muitos adultos trans revelam que desde suas primeiras memórias são exatamente como se sentem. Portanto, trata-se de ser e ter o direito de existir em sua plenitude com todas suas garantias e direitos de cidadania.”

 

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