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Poema de Danielle Santana

Hoje à tarde, meu filho sentou pra lanchar comigo. Durante anos  as noites de quarta eram chamadas de “noite das garotas” e faziam parte de um rolezinho obrigatório regado a gordura saturada e suco de laranja sem açúcar…ou seja, não havia regras.

Hoje, sentamos para comer juntinhos e na hora do tin-tin amiga, eu ouvi um “mãe, é amigo”… ops, amigo! desculpaê, as vezes, escapa!

Enquanto comíamos, olhei para ele e vi a minha criança de sempre!

Que gosta de meter os pés nas poças d’água que a chuva deixa…

que tem uma curiosidade maior que o mundo…

que fica um tempão no espelho ajeitando o cabelo…

que passa o dia aperreando o gato e fugindo dele.

Meu filho ainda gosta de matemática e diz orgulhoso que eu o ensinei a ler. Continuamos lendo 2 páginas de alguma coisa toda noite, e como sempre, lhe dou um beijo, um abraço e um afucho na hora de dormir.

Adoraria mantê-lo na proteção de meu ventre e de meu abraço para sempre, mas fico toda orgulhosa quando o vejo se apropriar de quem é, com o olhar confiante de quem gosta do que vê!

No fim, para além de meia dúzia de pronomes e umas peças de roupa, quase nada mudou. Nem o cheiro do cabelo, nem o som do sorriso, nem a doçura da nossa amizade…meu menino sempre esteve ali.

Hoje lanchamos em paz, mamãe-e-filhinho! Amanhã  retornaremos à vida e aos olhares gelados de quem aponta e diz: É falta de mãe!

Pois eu respondo: falta de mãe é que não é! É presença de mãe! É presença de amor de mãe que acolhe o filho, seja ele quem for! É coração de mãe, grande, gigante, onde sempre cabe um pouco mais de amor!

É lindo o caminho de quem se sabe amado!

Acolham e protejam as crianças trans.

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